terça-feira, 21 de setembro de 2021

A Escrita da História



Neste livro, Michel de Certeau identifica as etapas fundamentais da historiografia e suas diferentes abordagens ao longo do tempo, estabelecendo um diálogo entre várias áreas do conhecimento. Religião, epistemologia, metodologia e semiótica convivem e convergem para o mesmo objetivo: traçar o itinerário de um historiador e o percurso das interrogações que levam ao desenvolvimento da sua narrativa. Nesse processo, o autor recorre, também, à filosofia e à psicanálise – que sustentam as observações sobre diferença, corte e descontinuidade –, sempre norteado pelo olhar da política e da ética.

https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4955763/mod_resource/content/1/CERTEAU%2C%20M.%20A%20Escrita%20da%20hist%C3%B3ria.pdf


Documentário - Michel de Certeau - Vida e Obra por Diana Vidal 

ATTA - Mídia Educação

Michel de Certeau foi jesuíta, historiador e professor universitário francês. Seus interesses e crises o levaram a trazer para o seu universo a psicanálise, a filosofia, a linguística, a antropologia, a história, a pedagogia e manifestações culturais diversas. Nascia daí um respeito e uma relação profunda pela marginalidade, pela multiplicidade e pela resistência estratégica.

Neste programa, Diana Vidal, conhecedora da obra do autor, expõe o pensamento e suas implicações na Educação de um dos maiores pensadores do século XX.

Conteúdos:

- Os primeiros anos e a formação jesuíta

- Surin e a descoberta da escuta

- A psicanálise e a escuta do outro

- Epistemologia da história

- Historiografia

- Práticas culturais

- Práticas ordinárias

- O sujeito insubmisso

- As viagens

- Formas de resistência / modelo polemológico

- Certeau e Paulo Freire

- O mestre da Escuta

Apresentação: Diana Vidal

Diana Gonçalves Vidal é professora associada de História da Educação na Faculdade de Educação (USP), onde coordena o Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em História da Educação (NIEPHE) e a Área de História da Educação e Historiografia do Programa de Pós-Graduação em Educação. Publicou Michel de Certeau, historiador-vagabundo, judeu-errante na revista Educação. É pesquisadora do CNPq.

Convidada especial Anne-Marie Chartier

Institut National de Recherche Pédagogique, França



https://www.youtube.com/watch?v=21PXfrJCojQ&t=185s&ab_channel=Jos%C3%A9MarcusGuedesdeAra%C3%BAjo



Filme - Silêncio

 ‘Silêncio’-  filme de Scorsese

Roteiro adapta trama criada pelo escritor Shusaku Endo. Porém, um relevante fundo histórico serviu como base para a obra.

Da mesma forma que o protagonista de Silêncio (Silence, 2016) se devota a explicar tudo que lhe acontece com base em sua espiritualidade, o filme de Martin Scorsese também incorpora esse registro de um tom só, e a partir dele o cineasta - que já desenvolve a adaptação do livro de Shusaku Endo há anos - faz um sofrido drama que reitera situações e temas como um mantra.

O livro desencadeou uma ampla discussão no Japão, após sua publicação em 1966, por tratar da perseguição aos missionários católicos no país no século 16. Scorsese tira da equação qualquer referência mais contundente à opressão colonialista da era das navegações, e usa Silêncio, de forma reverente, para repassar o tormento dos portugueses torturados pelo regime local, que prezava pela hegemonia do budismo como a religião oficial do Japão. Andrew Garfield faz o padre principal, Rodrigues, numa jornada para entender o que aconteceu com seu mentor (Liam Neeson), que os locais dizem ter abandonado o cristianismo.

Ator que se entrega aos seus papéis mas frequentemente se escora em gestuais e expressões mais teatrais, Garfield alcança sob Scorsese uma atuação mais comedida e autêntica, e o filme todo depende dele para funcionar. A transformação física de Rodrigues é o fio condutor da trama, que transcorre como uma provação de fé sem nunca deixar de seguir a linguagem das narrativas do catolicismo, particularmente a devoção aos símbolos. Além de iluminar ambientes com um pudor especial, como se todos esses cenários de um Japão rural e às vezes francamente precário fossem potenciais cenários de culto, tocados por Deus, Scorsese se esmera nos planos-detalhes de objetos, cruzes, terços, mãos, toques.

O resultado é um filme que visivelmente pretende se filiar a uma tradição do cinema japonês, de Mizoguchi e Ozu, que Scorsese cresceu assistindo, particularmente na busca de Silêncio por filmar com respeito o sofrimento e a dignidade de seus personagens. Algo nesse esforço parece desperdiçado, porém: o foco na espiritualidade soa bitolado ao condicionar os contextos à jornada do protagonista e minimizar interpretações políticas, e o cuidado de Scorsese para não ofender ninguém pode desapontar quem espera do diretor uma narrativa mais enérgica, tortuosa.

Isso não quer dizer que Silêncio não tenha um impulso minimamente questionador. Depois de realizar alguns longas que colocam em dúvida a confiabilidade do ponto de vista de seu narrador, como Ilha do Medo e O Lobo de Wall Street, Scorsese faz o mesmo aqui, numa escala mais discreta mas não menos intensa, no clímax de Silêncio que resolve a busca de Rodrigues e encerra a trama. Nem isso, porém, deixa de ligar o filme às características do catolicismo, já que duvidar de si mesmo é nas narrativas da Igreja um dos temas mais recorrentes.






















https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/silencio-critica



O Aparecimento da Escola Moderna


Livro da Profa. Maria Lúcia Hilsdorf



Apresentação

    Ensinaram-me que este é lugar dos protocolos de leitura. Para escapar às injunções das laudas analíticas de um prefácio elucidativo, mas que ninguém lê, fiquei tentada a enunciá-los mediante a formulação sintética de uma epígrafe poderosa, todavia curta demais para satisfazer ao editor.
    Acabei por optar pela forma do preâmbulo, que espero o leitor receba
como uma pequena explicação sobre as condições de produção deste livro, escolha que me parece sensata, uma vez que as tentativas discursivas e tipográficas de controle de sua recepção e uso parecem caducar tão logo as obras saiam de nossas mãos!
    O aparecimento da escola moderna: uma história ilustrada é, basicamente, um livro didático, redigido com base em anotações de aulas das disciplinas História da escolarização e História da educação moderna e contemporânea, ministradas na FEUSP, e arranjadas para compor um curso de 12 semanas, correspondentes, pouco mais, pouco menos, aos nossos semestres letivos. Cobre dos primórdios do cristianismo ao início do século XIX, mas dá protagonismo às instituições escolares constituídas nos três séculos (XVI-XVIII) da modernidade pedagógica: o colégio (secundário), primeiramente literário e posteriormente também científico, e a escola elementar (primária). Detém-se, portanto, à soleira do grande movimento de disseminação delas pelos Estados, que marca o início da contemporaneidade pedagógica.
    A inventividade nesse percurso, percorrido já em tantos outros textos nacionais e estrangeiros, vem da metodologia com que ele foi construído: recorrendo aos aportes da história da educação e da história da arte conquanto fontes de análise da escola no passar dos séculos, e em seus respectivos contextos. Não é um trabalho de tese, e não está obrigado a conclusões, mas, se há uma ideia que emerge da exploração analítica assim encetada, é que essa escola moderna tem as suas singularidades, se contrastada à escola dos tempos antigos e medievais e também dos atuais, e que penso resultam de ter avançado sobre o plurissecular papel da família na transmissão de valores, conhecimentos e habilidades às crianças e aos jovens e o confinado àquelas novas formas escolares indissociáveis do domínio da leitura e da escrita. Essa compreensão, espero que professores e alunos a desenvolvam com a sua criatividade de leitores. Aliás, espero também que tenham tanto prazer em usar este texto quanto tive em compô-lo.
    Este é para os meninos do xerox da Adriana (Marcos, Rafael e Anderson) e para as funcionárias da secretaria do EDF (Maria Luíza, Sandra e Rita), os quais, pacientemente, reproduziram as centenas de imagens escolhidas, até chegarmos à forma final deste livro.

Maria Lúcia Spedo Hilsdorf
São Paulo, março de 2006


sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Semana da Educação na FEUSP

Pessoal, bom dia.

Estão todos(as)  convidados(as)  a participar da Semana da Educação da Faculdade da Educação que irá acontecer durante os dias 29 de Setembro a 01 de Outubro de 2021.

Confiram o link https://www.se-feusp.online/programa%C3%A7%C3%A3o

Um forte abraço

Escolas Vocacionais

  Bibliografia: NEVES, Joana, Renovação Educacional e Desenvolvimento Econômico: o ensino vocacional em São Paulo – uma questão política.  D...